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- Bibliografia e videografia:
- Art literature and videography:
- Carmo, Fernando Infante do, "Aspectos das Artes Plásticas em Portugal", Lisboa, 1992.
"Anuário Internacional de Arte 2003", Lisboa.
"Anuário de Arte 2005", Lisboa.
"Livro de Ouro da Arte Contemporânea em Portugal", Lisboa.
- Paraschi, André J., 1997. "Who is Who of the Artists in Portugal", Torres Novas.
- Direcção dos Serviços de Engenharia, Estado-Maior do Exército, 1997. Engenharia Militar Portuguesa, Livro Comemorativo dos 350 anos, vol. II, Lisboa.
- Editora Estar, 1998. "Anuário das Artes Plásticas", Lisboa.
- Carmo, Fernando Infante do, 1998, "Arte 98", Lisboa.
- Centro de Artes Plásticas - Point Center, 2001. "Artes2001.com", Lisboa.
- Revista Referencial, Nº 67, Abril - Junho 2002, Associação 25 de Abril, Lisboa.
- Queiroz, Álvaro (Cinemateca Nacional), 2002, O atelier de João Luís, Lisboa.
- Manuel de Sousa e Ernesto Neves, "Pintura Contemporânea Portuguesa- 100pintores", Editor Oro Faber, Chancelaria Real,
ISBN 978-989-96071-0-1; Lisboa, 2008.
A AGRESSÃO À MARGEM, texto de Baptista-Bastos
Não é um mundo alucinante, este, o de João Luís. Será, quando muito, uma peculiar visão onírica de um
universo peculiar. Eis, então, o sonho em tropel; o sonho realizado num outro sonho: o de a Liberdade desejada e apetecida. As cores, neste universo peculiar, não são palustres: não indicam o buraco negro fixado para além de qualquer galáxia; são, antes de tudo, sinais remotos - como, por exemplo, a luz indizível dos fosfenos.
Ainda não há muitos anos, notavam-se as grandes referências de João Luís: os seus azimutes, os seus pra-
zeres de olhar. Essas referências esbateram-se, diluíram-se, desapareceram. É um artista com identidade própria, com uma voz peculiar, pessoal e intransmissível.
Se insisto no vocábulo peculiar é porque, penso, ele é o único que caracteriza a obra, o tom, o registo e o estilo deste pintor de grandes e largos traços, deste artista que sintetiza os pólos essenciais de uma maneira singularíssima.
Depois, uma outra nota que me atrai: a do pudor. Há um pudor quase absorvente nesta pintura, nestes desenhos diferentes e, a um tempo, entre si convergentes. O pudor que se regista, por exemplo, num Rembrandt ou num Van Gogh. Um quase subterrâneo desejo de não dar nas vistas, de caminhar manso e respirar breve. É isso: uma pintura quase surdina. Uma arte que deixa a agressão à margem, e que me(nos) alumbra também por essa subtileza.
Baptista-Bastos, Lisboa, Maio de 1988.
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